Descarte de contribuições: tirar da média o que baixa o valor
A reforma acabou com o descarte automático dos 20% menores salários. Mas criou outro: excluir da média as contribuições que reduzem o benefício.
Revisado em 25 de setembro de 2026
O descarte que a reforma tirou — e o que ela deu no lugar
Até 2019, o INSS descartava automaticamente os 20% menores salários da média. A reforma acabou com isso: hoje a média usa todos os salários desde julho de 1994.
Mas a mesma reforma criou outra possibilidade, no artigo 26, § 6º, da Emenda Constitucional 103: excluir da média as contribuições que reduzem o valor do benefício, desde que se mantenha o tempo mínimo exigido pela regra.
Como funciona
Imagine uma mulher que vai se aposentar por idade, com 20 anos de contribuição. A regra exige 15. Ela pode excluir até 5 anos de contribuições — naturalmente, as mais baixas. A média sobe, porque os salários baixos saem da conta.
O preço do descarte
O tempo excluído não pode ser usado para mais nada. Nem para aumentar o percentual, nem para outra aposentadoria, nem para levar a outro regime.
E aí está a conta. Cada ano a mais de contribuição vale 2% da média. Cada ano descartado tira esses 2%. O descarte só compensa quando o aumento da média é maior do que a perda de percentual.
- Costuma compensar: salários muito baixos no começo da vida e altos depois — os anos baixos pesam mais na média do que os 2% que eles valem
- Costuma não compensar: salários parecidos ao longo da vida — descartar tira percentual e quase não mexe na média
Onde ele mais ajuda
Na aposentadoria por idade, que exige só 15 anos: há mais espaço para descartar. Nas regras que exigem 30 ou 35 anos, o espaço é menor — só o tempo que passar do mínimo.
Um cuidado
O descarte não serve para tirar da conta meses que simplesmente estão errados. Mês com salário lançado a menor ou sem salário se corrige, e o corrigido volta para a média com o valor certo. Descartar um mês errado é perder o tempo dele à toa. Veja vínculo sem salário no CNIS.
Como conferir se foi aplicado
A conta depende de ordenar todos os salários corrigidos e testar cada combinação — trabalhosa de fazer à mão. Na carta de concessão e na memória de cálculo, veja quantos salários entraram na média e compare com o tempo total. Se o descarte teria aumentado o valor e não foi feito, cabe revisão.
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